Repetidos anúncios de que cientistas estavam perto de produzir o primeiro clone humano chamaram atenção durante o ano. Declarações do médico italiano Severino Antinori de que o clone nasceria em breve e a produção, por uma seita, de uma suposta máquina de clonar foram seguidas de desmentidos, discussões e condenações fervorosas desde o Vaticano até o criador da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado no mundo. No Brasil, a discussão teve como pano de fundo a novela O Clone, que trouxe o assunto à tona, cercado de fantasia, em rede nacional.
Depois de ficar famoso por ajudar mulheres na menopausa a engravidar, Antinori voltou ao noticiário em maio, quando disse que três mulheres estavam grávidas de bebês clonados. Sempre sem dar maiores informações sobre a origem das supostas gestantes, em julho ele anunciou que um clone humano nasceria em dezembro. A declaração, publicada pelo jornal francês Liberation, foi desmentida em seguida.
A polêmica foi reativada no final de novembro, quando o médico italiano afirmou que o primeiro clone nasceria em janeiro de 2003 e seria filho de um árabe rico. Especialistas reagiram ressaltando os riscos de se clonar embriões sem saber previamente as possíveis conseqüências.
Reação negativa
Em setembro, quando recebeu o prêmio Ernst Schering, o cientista escocês Ian Wilmut, criador da ovelha Dolly, reiterou em seu discurso sua oposição à clonagem de seres humanos. Em novembro, depois das declarações de Antinori, o principal teólogo moral do Vaticano, padre Gino Concetti, também reagiu. "A Igreja condena a clonagem humana como método de procriação porque contradiz o princípio bíblico da procriação por meio do casamento", disse. Antinori se defende sustentando que qualquer tentativa de impedir a reprodução humana é uma agressão aos direitos civis.
Paralelamente, a companhia Clonaid, ligada à seita Movimento Raeliano, anunciou em julho a venda de uma máquina que permitiria realizar a clonagem para obter um embrião humano capaz de ser implantado no útero de uma mulher e dar início a uma gravidez. No mesmo mês, a filial sul-coreana disse ter implantado um embrião humano clonado no útero de uma mulher. Em seguida, o governo da Coréia do Sul afirmou que investigaria a empresa. Nos últimos dias de dezembro, uma cientista da seita, a química Brigitte Boisselier, anunciou o nascimento do primeiro clone humano. Seria uma menina nascida no Canadá.