Sem dúvida este ano vai terminar com uma grande pergunta: qual será o resultado da investida norte-americana por uma guerra contra o Iraque?
Desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 já se cogitava uma ação dos EUA contra o país de Saddam Hussein, que chegou a ser acusado de financiar o terrorista Osama Bin Laden. Sem provas para esta tese, o presidente George W. Bush voltou suas forças para outra frente denunciando a atuação de Saddam como um ditador sanguinário preocupado apenas em uma corrida armamentista.
Sob a ameaça de um ataque dos Estados Unidos ao Iraque, o Conselho de Segurança da ONU autorizou um endurecimento do regime de inspeções para exigir que Bagdá se desfaça das armas de destruição em massa que Washington o acusa de ter. Se este fato for verdadeiro, Saddam estaria descumprindo uma resolução da ONU sobre seu desarmamento, determinada após o final da Guerra do Golfo (1991)
A campanha contra o Iraque na ONU foi lançada no dia 12 de setembro, durante a abertura do debate geral da Assembléia General das Nações Unidas, um dia depois do primeiro aniversário dos atentados em Nova York e Washington. Na ocasião, Bush fez um discurso inflamado afirmando que se a ONU não tomasse uma atitude contra os desmandos do regime iraquiano os Estados Unidos teriam que intervir. Muitos países interpretaram este discurso como uma declaração de guerra velada e que o que Bush buscava era a autorização da ONU para sua intervenção particular.
No dia 16 de setembro o Iraque entregou uma carta ao secretário-geral da ONU, Koffi Annan, informando que aceitava o regresso dos inspetores da ONU encarregados de verificar o desarmamento, depois de quatro anos de ausência. Mas a capitulação de Bagdá nesta questão não bastou para Bush, que exigiu ao Conselho de Segurança autorizar o uso da força contra o Iraque se violasse mais uma vez as resoluções sobre o desarmamento.
Washington iniciou então uma intensa campanha diplomática para conseguir que o Conselho aprovasse uma nova resolução que atendesse aos seus interesses. A negociação se estendeu para as capitais dos cinco membros permanentes do Conselho - EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia - e mostrou que, exceto norte-americanos e britânicos, ninguém estava muito interessado no uso da força.
França, China e Rússia se mostraram reticentes quanto as petições de Washington, já que temiam que com a autorização para o uso da força, Estados Unidos empreenderiam a guerra de maneira automática ante o menor incidente com o Iraque. Para evitar isto idealizaram uma estratégia que deixaria em mãos do Conselho a decisão final sobre a guerra. As negociações se sucederam durante quase oito semanas e, no final, se votou a favor de uma resolução que permite qualquer interpretação.
Os Estados Unidos consideram que podem intervir militarmente, enquanto o resto crê que deve existir uma nova resolução do Conselho de Segurança para dar explicitamente essa autorização. A declaração de um diplomata norte-americano logo após a aprovação da decisão da ONU explicita a diferença de opiniões: "De qualquer forma que se interprete os EUA consideram que tem autorização para usar a força". "O relógio está fazendo tic-tac para o Iraque", acrescentou.