A crise de confiança tomou conta dos mercados financeiros em 2002. O ano das eleições presidenciais, que decidiram o sucessor de Fernando Henrique Cardoso, deixou os investidores com os nervos à flor da pele e a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva trouxe muitas inquietações.
Em oito anos de vida o Plano Real atravessou três grandes crises dos mercados mundiais - a do México em 94/95, a da Ásia em 97, e a da Rússia em 98 - e desde o ano passado enfrenta a desaceleração da economia dos Estados Unidos, depois de quase 10 anos de forte expansão, e o agravamento da crise na Argentina.
O dólar disparou e o risco país (que indica ao investidor se é muito arriscado aplicar no nosso País) oscilou entre a mínima de 600 pontos e a máxima de 2.500 pontos, ficando atrás apenas do indicador da Argentina. No início da última semana do ano, o índice estava em 1.500 pontos. E o mais preocupante, as linhas de crédito internacionais - usadas pelas empresas exportadoras ¿ "secaram" e o Brasil ficou sem conseguir captar recursos internacionais.
Enquanto isso, os títulos da dívida externa brasileira ¿desciam ladeira abaixo¿ com o temor de um calote do governo. A cada pesquisa eleitoral, o mercado se arrepiava. As preocupações dos investidores de Wall Street fizeram com que os títulos brasileiros perdessem cerca de 20% do valor desde o início do ano. O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, finalizou 2002 valendo US$ 0,67. A cotação representa alta de 39,58% em relação à mínima do ano e queda de 19,28% em relação ao maior patamar alcançado nos últimos doze meses.
No dia 10 de outubro, a moeda norte-americana atingiu a inimaginável marca dos R$ 4 - a cotação mais alta da história do Real. O dólar encerrou o ano de 2002 cotado a R$ 3,545, acumulando uma valorização de 53,13% frente ao real.