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Beira-Mar expõe fragilidade do sistema penitenciário
 
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O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e o Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, foram o centro das atenções este ano, mostrando a fragilidade do sistema prisional brasileiro. Diversas rebeliões, muitas comandadas por Beira-Mar, apreensões de drogas, armas e telefones celulares foram os assuntos que dominaram o noticiário nacional. Dentro dos presídios, os líderes do crime organizado disputavam o comando do tráfico na cidade.

Integrantes dos grupos rivais Comando Vermelho e Terceiro Comando protagonizaram ao longo do ano os mais sangrentos confrontos. No principal deles - em 11 de setembro - Fernandinho Beira-Mar e o Comando Vermelho assassinaram quatro presos durante rebelião no complexo penitenciário de Bangu I no Rio. Entre os mortos estavam Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, um dos líderes do tráfico na cidade, Wanderlei Soares, o Orelha, Carlos Roberto Cabral da Silva, o Robertinho do Adeus e Elpídio Rodrigues Sabino, o Pídio).

Beira-Mar foi transferido, junto com outros seis traficantes, para o Batalhão de Choque da Polícia Militar, onde todos eram vigiados 24 horas por dia. Enquanto isso, o presídio de Bangu I passava por uma reforma geral, tentando se tornar um lugar de segurança máxima, na prática. Beira-Mar retornou para o presídio em 26 de outubro.

A partir daí, os presos de Bangu I passaram a usar uniformes no interior da unidade. A linha dura adotada no local proíbe ainda as visitas íntimas aos detentos. As medidas assinadas pelo secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, visam dificultar qualquer movimentação e organização dos detentos no presídio. Entre as normas constam, ainda, que os presos só poderão falar ao telefone com o conhecimento da direção da unidade e receber apenas a visita de um advogado - durante 30 minutos. Além disso, os detentos poderão receber apenas as visitas de parentes próximos como pai, mãe, mulher e filhos.

Outras rebeliões

As mulheres também fizeram rebeliões no Complexo. No dia 22 de julho, as 26 presas da penitenciária Talavera Bruce, em Bangu, provocaram um motim que resultou em apenas uma ferida. Em 29 de agosto, os 496 presos de Bangu 5 permaneceram durante 22 horas rebelados. No final da ação, entregaram uma lista com 21 reivindicações para as autoridades.

Em 15 de outubro, uma tentativa de invasão que visava a libertação de presos de Bangu III provocou um início de um motim e uma onda de violência na cidade. O Palácio da Guanabara, sede do governo do Rio, foi atacado com dez tiros de fuzil. Carros de Polícia e uma delegacia foram alvejados. Um policial morreu. Uma granada foi jogada contra o shopping Rio Sul, provocando danos na fachada.

Oito dias depois, os presos da Casa de Custódia Jorge Santana iniciaram uma rebelião durante a madrugada. No dia 1º de novembro, cerca de 150 presos da mesma Casa de Custódia, pertencente ao Complexo de Bangu, iniciam uma rebelião após uma tentativa de fuga e fazem oito policiais reféns. O motim terminou nove horas depois com a entrada de um veículo blindado da polícia no local. Os reféns foram libertados, e as armas utilizadas na rebelião, inclusive uma escopeta, foram entregues.

Adolescentes internos de Bangu também causaram estragos. No dia 4 de novembro, internos do Educandário Santo Expedito, destinado a adolescentes infratores, provocaram uma rebelião que levou à transferência dos amotinados para outras duas unidades prisionais.
 

Redação Terra


 
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