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Argentina viveu em 2002 seu pior pesadelo
 
AP
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A Argentina viveu este ano um de seus piores pesadelos, na qual se misturaram uma forte desvalorização da moeda, um alarmante aumento da pobreza e do desemprego e uma recessão que deixou marcas visíveis na vida cotidiana. O peso argentino vale 70% menos em relação ao dólar, e 53% dos argentinos vivem abaixo da linha da pobreza e 21,5% das pessoas aptas para trabalhar está buscando emprego e não encontra.

Segundo cálculos da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL), a Argentina terá este ano uma queda de 11% em sua atividade econômica, o que acumula um decréscimo de 20% nos últimos quatro anos, quando começou a crise. Estes dados estão ligados à grave crise social e política que explodiu no final de dezembro de 2001 com a queda do radical Fernando de la Rúa e as tentativas frustradas do peronismo, agora no governo, para dar ao país uma liderança política.

Acostumados a viver com um peso que teve o mesmo valor que o dólar desde 1991, os argentinos tiveram que se adaptar a um câmbio de 3,5 pesos por dólar. A recessão levou a orgulhosa Argentina a ver sua renda per capita despencar de US$ 8 mil para US$ 2,5 mil. Isto se reflete em um assustador aumento da criminalidade e nas notícias cada vez mais freqüentes de crianças que morrem de fome. Uma vergonha que os argentinos combatem com protestos nas ruas, diga-se de passagem, cada vez menos freqüentes.
 
EFE

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