João Paulo II completou este ano o 24º aniversário de sua eleição como Pontífice, convertendo-se no quinto Papa mais longevo da história. Apesar dos problemas de saúde que o afligiram este ano, ele confirmou que seguirá governando a Igreja até que Deus queira e pôs fim às especulações sobre uma eventual demissão.
Durante a maior parte do ano se falou dessa possibilidade e se chegou a assegurar que aproveitando sua visita, em agosto passado, à Cracóvia ele ficaria em sua Polônia natal. As especulações chegaram a tal tom que o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, se viu obrigado a desmentir tal possibilidade, precisando que João Paulo II regressaria a Roma e que não tinha intenção de renunciar.
Os rumores começaram em março, quando o Papa sofreu com uma artrose no joelho direito, que o impediu de participar dos ritos da Semana Santa e o obrigou a rever sua agenda. O agravamento da saúde ficou ainda mais óbvio durante sua viagem em maio ao Azerbaijão e a Bulgária. Ele sofria ao caminhar, não pode concluir seus discursos, a voz era débil e a respiração difícil.
Mas a redução da agenda de trabalho e o repouso conseguiram o que parecia impossível: João Paulo II se recuperou de tal maneira que empreendeu uma fatigante viagem de 11 dias por América, que a levou de 23 de julho a 2 de agosto ao Canadá, Guatemala e México. Em Toronto se reuniu com mais de meio milhão de jovens na XVII Jornada Mundial da Juventude, na Guatemala canonizou ante mais de um milhão de pessoas o religioso Pedro de Betancur, o primeiro santo guatemalteco, e no México Juan Dios, para quem a Virgem de Guadalupe apareceu em 1531, foi proclamado o primeiro santo indígena.
Em agosto voltou pela nona vez à sua terra natal, a Polônia, onde foi recebido em Cracóvia por mais de dois milhões de fiéis e ante quem pediu a Virgem "força física e de espírito para poder cumprir até o final a missão" que recebeu de Cristo. Ele regressou a Itália, voltou a residência de verão de Castel Gnadolfo, onde permaneceu até final de setembro. Das férias regressou caminhando com normalidade - dentro dos limites impostos pela sua idade e estado de saúde - e com a voz mais clara e forte.
Mas não foi só a saúde do Papa que preocupou o Vaticano este ano. Os escândalos de abusos sexuais e de pederastia causados por bispos e padres de vários países, mas principalmente nos Estados Unidos, onde centenas de religiosos estão sendo acusados tomaram as manchetes do mundo e levaram João Paulo II a condenar publicamente os envolvidos. O ecumenismo também recebeu atenção com a primeira visita de uma delegação oficial da Igreja ortodoxa grega ao Vaticano desde o cisma entre Oriente e Ocidente de 1054.
Este ano João Paulo II também canonizou o fundador da Opus Dei, o espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer, o famoso frade dos estigmas padre Pío de Pietrelcina e o religioso espanhol Alonso de Orozco. O Brasil ganhou sua primeira santa com a canonização de Madre Paulina no dia 19 de maio, na Praça São Pedro, no Vaticano.