Jovem diz que matou pais por amor ao namorado

08 de novembro de 2002 • 11h38 • atualizado às 16h27

Suzane Louise von Richthofen, 19, acusada de planejar o assassinato de seus pais, o engenheiro Manfred Albert von Richthofen, 49 anos, e a psiquiatra Marísia von Richthofen, 50, no último dia 31 de outubro, confessou ter praticado o crime por amor ao namorado, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 21 anos. O irmão de Daniel, Cristian, 26, também participou do crime. A informação foi divulgada hoje pelo delegado Domingos Paulo Neto, que concedeu entrevista coletiva sobre o caso.

O casal não aceitava o namoro de Suzane com Daniel e não queria que os dois jovens morassem juntos. O trio está com a prisão temporária decretada. O delegado explicou que os três responderão pela mesma acusação. A pena para homicídio qualificado varia entre 12 e 30 anos.

Conforme o delegado, as mortes foram planejadas com pelo menos dois meses de antecedência. O crime ocorreu por volta da meia-noite e a ação durou cerca de 30 minutos. Daniel e seu irmão Cristian usaram meia-calças e luvas cirúrgicas no momento do assassinato para que não sobrassem digitais ou pêlos no local do crime. A dupla matou o casal com golpes de barras de ferro nas cabeças. Daniel atacou o sogro com uma quantidade grande de golpes e seu irmão deu cinco golpes em Marísia. O casal, que estava dormindo em seu quarto, chegou a reagir. As armas, canos de ferro com madeira na parte interna, foram fabricadas por Daniel e levadas para a casa das vítimas dentro do carro de Suzane.

A polícia também informou que Suzane estava na casa durante os assassinatos, mas não presenciou as mortes. Ela entrou na casa primeiro, desativou o sistema de alarme de sua casa que fica na rua Zacarias de Góes, no Brooklin, e acendeu a luz de um corredor, sinal combinado com os jovens para entrar na casa. O circuito de TV da casa permaneceu ligado, mas as imagens transmitidas não são gravadas.

A jovem foi responsável por colocar as roupas e outros objetos utilizados pelos assassinos em um saco plástico, que foi abandonado na Avenida Ibirapuera. Neto disse, ainda, que Suzane se preocupou em retirar o irmão Andreas, 15, de casa antes das mortes ocorrerem. Ele foi levado ao Cybercafé Red Planet, no bairro em que vivem. Suzane excluiu qualquer participação de seu irmão nos homicídios.

Para o delegado Neto, houve contradições nos depoimentos prestados. Daniel teria afirmado que ele e Suzane foram para a rodovia Raposo Tavares para procurar um motel, o que seria o álibi do casal. Suzane disse que eles teriam ido primeiro para a casa dela e depois para a Raposo Tavares.

Outro ponto de contradição foi na volta de Suzane para casa para buscar dinheiro para pagar o motel. Ela teria dito a Andras que, quando esteve em casa, notou que a porta da sala estava aberta e que, depois de pegar o dinheiro, teve o cuidado de fechar a porta de entrada. Ao prestar depoimento, entretanto, ela negou ter dito isso ao irmão.

Uma das evidências apontadas para o crime está no saco de lixo encontrado na cabeça de Marísia, que era semelhante aos encontrados na residência do casal. A polícia, então, acredita que a pessoa sabia onde eles estavam guardados. Os investigadores encontraram dólares escondidos dentro de uma raquete e de um rádio na casa de Cristian, que mora com a avó. Também foram encontrados US$ 1,5 mil e R$ 700 dentro de um estabilizador (equipamento de computador) na casa de Daniel, que mora com o pai.

Hoje, Daniel, Suzane e Cristian confessaram o crime durante depoimento ocorrido durante a madrugada. O delegado disse que o trio é usuário de maconha e que Cristian já foi viciado em cocaína. A polícia ainda vai realizar novas operações para buscar mais provas do crime.

Depois de um exame de corpo de delito, Daniel e Cristian serão levados para o 77º Distrito Policial, na região central da cidade, e Suzane irá para 89º DP, na zona oeste.

Redação Terra
 
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